Abertura do Evento com Daniela Borges
No Auditório Teixeira de Freitas, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Bahia (OAB-BA) organizou um importante encontro denominado “2 de Julho: Democracia, luta popular e direito de bem viver”. Esse evento teve a honra de contar com a presença da presidente da ordem, Daniela Borges, que enfatizou a importância de revisitarmos as lutas históricas do 2 de Julho. Durante sua fala, ela destacou como essas batalhas moldaram o panorama atual da advocacia e do Estado Democrático de Direito.
“Comemorar o 2 de Julho dentro da Casa da Advocacia representa a reafirmação de que a trajetória da Bahia é marcada pela força e determinação do povo baiano. A história de nossa região é entrelaçada com as ações de personalidades como Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa, e isso nos inspira a continuar essa luta pela justiça e equidade”, ressaltou o discurso de abertura.
As palavras de Daniela Borges foram um chamado para que todos busquem entender sua posição na sociedade e como podem contribuir para promover mudanças significativas na realidade social.

O Papel Histórico da Independência da Bahia
A Independência da Bahia, ocorrida em 2 de Julho de 1823, é um marco que não apenas representa a libertação do domínio colonial, mas também simboliza a luta contínua por direitos e cidadania. Os debates durante o encontro enfatizaram a necessidade de olhar para essa data como um ponto de partida e um compromisso com a justiça social contemporânea.
O encontro serviu para iluminar a importância de se reconhecer a história não apenas como um relato passado, mas como uma força motivadora que provoca políticas públicas e luta constante por inclusão e igualdade dos direitos fundamentais.
Reflexões Sobre a Luta Popular
Um dos destaques do evento foi a reflexão sobre a relevância das lutas populares na fundamentação da democracia. Essa discussão foi profundamente enriquecida pelos relatos de Cléia Costa, secretária-geral da OAB-BA, que reforçou que o 2 de Julho deve ser interpretado não somente como um fato histórico, mas uma convocação diária à defesa das normas democráticas.
Ela expressou: “O 2 de Julho simboliza uma chama que nos motiva a lutar continuamente pela ordem democrática. A OAB Bahia se torna a voz da cidadania e reafirma que a verdadeira independência é construída sobre os pilares da justiça social e do respeito às nossas memórias coletivas.” Essa perspectiva reforça o entendimento de que os direitos conquistados devem ser sempre protegidos e ampliados.
A Dimensão Cultural e Sua Importância
Um aspecto cultural marcante do encontro foi a apresentação do Coral da Caixa de Assistência dos Advogados da Bahia (CAAB), que emocionou a plateia com interpretações de canções e hinos que ressoam com a identidade baiana. Além disso, a participação do tradicional bloco afoxé Filhos do Congo trouxe elementos da ancestralidade negra para a atmosfera do evento, destacando a rica diversidade cultural do estado.
A cultura foi ressaltada como um dos alicerces fundamentais para a construção da identidade e da história da Bahia, enfatizando como a música e as tradições desempenham um papel essencial na manutenção da memória coletiva e dos princípios da luta direitos.
Desafios da Democracia na Atualidade
As discussões também abordaram os desafios presentes da democracia na sociedade contemporânea. O papel da intolerância e das injustiças sociais foi destacado por Manoel Neto, historiador e documentarista, que fez uma conexão entre os eventos históricos de Canudos e a atualidade. “A intolerância institucionalizada é uma ameaça à democracia, pois sufoca as vozes da organização popular”, argumentou.
Seu discurso ressaltou a relevância de trabalhar todos os dias para garantir que a democracia seja um espaço onde todas as vozes possam ser ouvidas e respeitadas, reforçando que cada cidadão tem um papel ativo na defesa dos princípios democráticos.
O Direito ao Bem Viver e Suas Implicações
A advogada e ativista Bianca Souza trouxe à tona o conceito de “Direito de bem viver”, ligando-o às lutas das mulheres negras contra a violência de Estado. “A luta pelo bem viver é profundamente enraizada na busca por justiça e reparação para aqueles que suportaram as injustiças ao longo da história”, disse.
Ela enfatizou que o acesso a direitos básicos é imperativo e que a verdadeira democracia só será alcançada quando todas as mães, especialmente as negras, não tiverem que chorar pela perda de seus filhos. O discurso de Bianca Souza deixou claro que o bem viver deve ser um compromisso coletivo que exige ação e solidariedade.
História e Intolerância: Lições a Aprender
O professor Francisco Cancela direcionou sua palestra para a significância dos povos originários na luta pela independência. Ele argumentou que é crucial reescrever a narrativa nacional de maneira inclusiva, reconhecendo que os povos indígenas foram atores fundamentais na busca por liberdade. “Eles não eram meros coadjuvantes; foram lutadores que demanda liberdade, território e cidadania”, certificou.
A mensagem de Francisco Cancela ressoou com a necessidade de um reconhecimento dos direitos dos povos originários, abordando as lutas atuais e a importância de suas vozes na construção de uma nação mais justa.
Protagonismo dos Povos Originários
A reivindicação do protagonismo indígena destaca um tempo de mudança que é necessitado para que suas contribuições sejam devidamente respeitadas e incluídas nas discussões sobre cidadania e liberdade. Essa discussão é uma chamada ao entendimento de que a história da independência não é apenas sobre os vitoriosos, mas sobre todos os que lutaram e continuam a lutar.
Educação e Formação Cidadã
A última apresentação foi conduzida pela professora e pesquisadora Magaly Menezes, que compartilhou sua visão sobre o papel da educação na construção de uma sociedade mais justa e democrática. “A educação critica e libertadora é um caminho necessário para formar cidadãos conscientes e engajados com a realidade de seu país”, afirmou.
Ela ressaltou que as escolas e universidades devem ser meios de promoção de um letramento democrático, proporcionando a formação de novas gerações que reconheçam a importância da luta pelos direitos e pela memória coletiva.
Perspectivas Futuras para a Advocacia e a Democracia
As reflexões e debates gerados durante o evento não só celebraram o passado, mas também convocaram todos os presentes a se comprometerem com a construção de um futuro mais justo, inclusivo e solidário. A advocacia, enquanto mediadora e representante dos direitos do povo, desempenha um papel central nessa luta, devendo sempre se recordar que a verdadeira independência é um caminho contínuo a ser trilhado por cada um de nós.
Essa visão experimentalizada ao longo do evento é uma diretriz clara para que todos na advocacia e na sociedade se unam em prol do fortalecimento da democracia e da promoção de uma justiça igualitária, onde os direitos de cada cidadão sejam efetivamente respeitados e garantidos.


